INTRODUÇÃO
Quando pensamos em desenvolvimento pessoal e profissional, normalmente temos dois tipos de abordagem, ou tratamos ambas as áreas como sendo completamente separadas ou optamos por nos focar em apenas uma, eliminando a outra por completo, o que geralmente nos leva a nos dedicar exclusivamente no nosso desenvolvimento profissional em detrimento do pessoal.
O que queremos dizer é que nós, enquanto seres humanos, focados nos diversos desafios do dia-a-dia, tendemos a esquecer ou a ignorar por completo o fato de que nossa vida profissional e pessoal não são duas vidas separadas que devem permanecer continuamente segregadas ou e muito menos suprimir uma pela em benefício da outra onde a o lado profissional tende a levar uma contínua vantagem sobre a pessoal.
Entretanto existem competências e hábitos que podemos cultivar que possuem a capacidade de gerar impactos profundos e amplos em ambos os aspectos de nossa vida, competências e hábitos estes que, tendem a se iniciar em nossa vida pessoal e vermos seus resultados influenciarem positivamente a nossa vida profissional e vice-versa.
Por exemplo atividades físicas contínuas, ampliam a nossa disciplina, saúde e vigor físico o que tende a gerar impactos positivos em nossa vida profissional, quer seja pelo aumento da produtividade, pela diminuição do stress ou mesmo, pela melhoria da saúde ou mesmo pela ampliação de nossa autoconfiança.
Ao modificarmos o nosso estilo de vida pessoal, alterando nosso regime de exercícios e nossa alimentação terminamos por impactar positivamente o modo como geramos resultados e nos relacionamos com nossa vida e com as pessoas à nossa volta.
Do mesmo modo, quando aprendemos uma segunda língua, quer motivados por uma necessidade profissional ou pessoal, o fato de podermos nos comunicar em mais de um idioma termina por abrir a porta de oportunidades de crescimento e lazer que não imaginávamos antes.
Por fim mesmo o hábito da leitura, quando perseguido com afinco, mesmo no âmbito pessoal, termina por nos disponibilizar conhecimentos que podem ser indiretamente transmitidos para o nosso ambiente de trabalho. Entretanto quando este hábito nos propicia a aquisição de conhecimentos não diretamente relacionados ao lazer e nem necessariamente técnicos, continuam a abrir a nossa mente para novos horizontes, permitindo-nos adquirir, novamente, sem querer soar repetitivo, novos conhecimentos e desenvolver novas perspectivas.
A seara do treinamento da mente é uma área que é normalmente descartada. Ela vinha sendo continuamente descrita como misticismo ou algo remanescente do esoterismo dos anos 90. Este entendimento pode estar correto ou errado, porque depende, de fato, do que estamos falando.
CONCENTRAÇÃO E ATENÇÃO PLENA
Como qualquer técnica que adentre um novo mercado, rapidamente aparecem charlatães preocupados em vender cursos baseados em leituras rápidas de livros ou em sistemas inventados por eles, sem nenhum entendimento do que se trata. Rapidamente vemos cursos e workshops de Mindfulness enchendo o mercado, assim como as tão famosas formações de mestres desta técnica.
Entretanto se separarmos o joio do trigo e nos aprofundarmos em estudos científicos e na literatura apropriada, vamos verificar que a prática correta e contínua da Atenção Plena possui a capacidade de nos permitir desenvolver foco, amplitude mental, calma, criatividade além de reduzir o stress e melhorar o nosso sistema imune.
Temos no subcontinente indiano o nascedouro das principais técnicas de Mindfulness ou Atenção Plena que terminaram por se espalhar por todo o oriente, gerando variações baseadas em visões filosóficas e entendimento do que é a mente diferentes.
Temos no Hinduismo e no Budismo os principais proponentes destas técnicas, estando o Budismo à frente em relação à produção de materiais como manuais com diferentes adaptações das duas práticas que compõe o corpus deste Caminho, quer sejam Shamata, que tem como principal ponto o desenvolvimento do foco e o Vipassyana que atua ampliando a nossa capacidade perceptiva e de interação natural e não reativa com o mundo à nossa volta.
Lógico que estas são descrições que, por serem suscintas, são superficiais e, portanto, não profundas o suficiente para gerar o entendimento correto, mas que no entanto servem para gerar no leitor o entendimento apropriado. O que quero dizer é que utilizando ambas as técnicas da maneira tradicional, conforme vem sendo utilizada a milênios, podemos desenvolver, no caso da prática de Shamata, a capacidade de invocar um estado de concentração diferenciado, que nos permite voltar nossa mente para um objeto ou uma atividade e nela permanecer de modo imperturbado pelo tempo desejado.
Já ao desenvolvermos Vipassyana, após termos alcançado alguma estabilidade por meio da prática descrita acima, somos capazes e nos relacionar com qualquer situação sem sermos dominados por nossas emoções, assim como também de abdicarmos de nos deixar levar continuamente pelo aspecto discursivo de nossa mente. Como consequência, terminamos por desenvolver a capacidade de observar as coisas como elas são, sem nenhuma superimposição de nossa parte, o que nos permite lidar com qualquer situação de forma mais fluida e natural.
Ao desenvolvermos a capacidade de mantermo-nos em um estado de Atenção Plena (Mindfulness, Vipassyana), nos permitimos explorar o que está acontecendo no momento presente, sem a necessidade de julgar ou nos frustrar com isso. Isso significa que quando alguma situação incomum ou normalmente rotulada como indesejada ocorre, nossa mente pode naturalmente fornecer as ferramentas para não nos envolvermos mecanicamente com a situação e, ao invés disso, fazermos uma pausa e assim avaliar nosso estado mental, o que nos permitirá focar novamente na tarefa em questão, tendo em vista o entendimento da nova realidade que se fez manifesta. Em suma, nos tornamos mais proativos ao invés de reativos.
A nossa capacidade de permanecermos atentos surge como o resultado destas práticas meditativas que nos permite deixar surgir o espaço natural de nossa mente, livre do tumulto interno que normalmente toma conta dela, o que termina por desacelerar a sua velocidade reativa e permitir que a mente permaneça naturalmente tranquila, atenta e desapegada.
Podemos utilizar o exemplo de um motorista para explicar o nosso ponto. Vamos imaginar uma pessoa, atrás do volante, como uma característica parecida com a nossa, continuamente dominado por um fluxo de pensamentos e controlado por suas emoções. Este modelo mental é semelhante a um motorista que foca em todo o tipo de estímulo ao mesmo tempo em que está guiando um veículo. Este tipo de pessoa dirige enquanto digita no celular, troca a música e conversa com as pessoas do carro, olhando para cada uma delas. Certamente existe aí uma grande possibilidade de se causar um acidente.
A pessoa que desenvolveu Shamata a ponto de ser capaz de focar a sua mente pelo tempo que desejar na tarefa que desejar, permanecerá concentrada na estrada e no ato de dirigir, mas deixando de lado tudo que possa obstruir o fluxo de sua atenção do seu objeto.
Aqueles que desejam desenvolver apenas Mindfulness, aviso de antemão que é muito mais fácil praticar e cultivar a Atenção Plena depois de ter dominado a capacidade de focar a mente, por meio de Shamata. Porém é mister ressaltar que isto deve ser feito com uma pessoa que realmente conheça as técnicas e que possa guiar quem aprende ao longo dos estágios que compõe cada método.
ALGUNS BENEFÍCIOS DE SE CONTROLAR A NOSSA MENTE
Quanto aos benefícios imediatos que tanto Shamata quanto Vipassyana nos trazem, no âmbito de nossa vida pessoal e profissional, podemos listar alguns abaixo, que são os mais alinhados com nossa vida profissional:
Desenvolvimento de Profissional
A Atenção Plena pode ser benéfica quando se trata de desenvolvimento de nossa carreira, tanto de modo direto quanto indireto. Não precisamos explanar os benefícios da capacidade de concentração e de Atenção Plena além do que foi explanado de forma suscinta acima, mas existem outros subprodutos do desenvolvimento destas duas competências que nos possibilitam o crescimento profissional.
Por meio da capacidade de concentração e de Atenção Plena somos capazes de lidar com problemas, tais atingir metas anteriormente consideradas difíceis porque nos tornamos capazes não apenas de diminuir a nossa procrastinação, mas de enxergar em situações outrora consideraríamos como sendo problemáticas como provedoras de soluções diferenciadas.Além disso, por nos fornecer uma maior flexibilidade, adaptabilidade e resiliência somos capazes de encarar situações anteriormente consideradas como impossíveis de serem realizadas, quer por anteriormente a encararmos como acima de nossas capacidades ou por nos percebermos como sendo ainda inadequados.
Stress Relief
Um dos maiores benefícios da Atenção Plena é que ela ajuda a reduzir o estresse, especialmente quando você está encarando situações desafiadores, quer seja no aspecto interpessoal ou técnico.
Equilibrar trabalho e vida é estressante – desde horários, conclusão de tarefas, colaboração com muitas pessoas, etc. O estresse crônico é considerado como sendo algo inevitável no local de trabalho, entretanto para aqueles que começa a cultivar em sua mente a Atenção Plena, tais situações deixam paulatinamente de ter o mesmo impacto e, portanto, de causar o mesmo nível de stress.
Deste modo, conforme mencionamos anteriormente o resultado da implementação da Atenção Plena permite que liberemo-nos do apego ou aversão a situações que de outro modo seriam precursoras do estresse e por conseguinte desenvolvamos resiliência.
Promoção da criatividade
A Atenção Plena permite que deixemos fluir naturalmente o nosso estado mental natural, permitindo que a criatividade flua e mantendo pensamentos negativos afastados. A presença de emoções ou pensamentosnegativos ou depressivos em nossa mente tende a sufocar a auto-expressão e o pensamento criativo.
Portanto, a Atenção Plena é o que nos permite permanecer no “aqui e agora” de modo tranquilo e natural, possibilitando que possamos enxergar soluções em determinadas situações onde apenas perceberíamos problemas.
Conclusão
Em última análise, a prática de concentração e Atenção Plena não desligará nossos pensamentos ou fará com que nossa mente torne-se uma tábula rasa onde nada pode surgir. Muito pelo contrário, ao invés disso, a Atenção Plena fomentada pela prática de Shamata nos convidará a prestar mais atenção às sensações físicas, a perceber e analisar nossos pensamentos e emoções, a lidar com ambos de forma mais salutar e apermitir que nosso pensamento criativo floresça naturalmente.
Portanto, visto que a prática de Vipassyana assim como a de Shamata traz muitos benefícios, é essencial tê-lo em nossa vida pessoal e profissional – não importando o setor!